terça-feira, janeiro 17, 2006

 microcephaly

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Inferno















Nas paredes da escolha
Onde o BEM e o MAL Predominam,
Sei que a perpetua separação é inevitável …
Mas como largar o ser que amamos? Convivemos? Educamos? Enfim…
Despojado num INFERNO e voando entre as brumas.
Será esta a realidade da vida, onde nos separamos por laços
Tão duradouros e longos… e depois,
Do nada, haver uma eterna separação.
Não posso crer que as minhas flores de amor
onde outrora recolhia Beijos e Consolo
agora estejam num MUNDO MAIS INFELIZ.
Onde há JUSTIÇA SUPREMA?
Será que é possível viver num PARAÍSO
Tendo um ente , um amigo ,
Num INFERNO DANTESCO?
SIM.
Dante conseguiu transcrever
Por ideias mitológicas o Inferno….
O inferno dizia ele.
Enfim…

Escrito por: Luis Ferreira

Nascente
















Seguindo o luminoso traço dos astros vou rumando ao fim do Mundo onde brota de uma nascente um imenso sonho profundo. Vou mergulhar bem fundo e encontrar o exacto local em que ferozmente caos e cosmo se fundem e confundem. E quando vier à terra do meu ser, terei resposta para a vida que constantemente teima em renascer por dentro de mim, terei o segredo de todas as coisas, terei a possibilidade de uma eternidade gloriosa.
Estranhos sulcos rasgarão o coração e um suave manto de vermelho sangue cobrirá todos os corpos, todas as vidas, até mesmo o real espaço-tempo que nos rodeia. Surgirão sombras escusas carregando ecos dispersos de mistérios transcendentes e seremos iluminados por raios espelhados de origem primitiva. Nada será total conhecido mas nada será absolutamente esquecido.
Tudo será torrente, tudo será diferente, basta-nos encontrar a nascente e nela mergulhar…

Escrito por: Amílcar Costa

Subconsciente















Deito-me no chão e sinto a razão e o sentir em profunda dança que me coloca aos ouvidos uma música enigmática capaz de me pôr questões a todos os instantes preciosos impedidos de agir no que deve ser do ser e não no sentir do ser real que o meu corpo transporta sobre este pesado subconsciente.

Escrito por: Filipa Ferro

Trafalgar














O troar constante ecoa por entre velas ao vento, à medida que pesados corpos roliços de chumbo e ferro são expelidos, trespassando a madeira num misto de fúria e despudor.
O azul celeste do firmamento é profanado por uma entidade negra e sombria, renascida do seio da chama e escoada pela língua das labaredas.
Um manto espesso de pólvora e cinza engole o ar, tornando-o insustentável.
Perdidos neste eclipse antropocêntrico, homens atormentados respiram cinza, um oxigénio fragmentado, negro e denso que os seus pulmões beijam com repulsa.
Os ponteiros marcam hora e meia desde que o velho almirante, apoiado com o seu único braço no costado do HMS Victory, expeliu à força dos 4 ventos: «England expects that every man will do his duty», fazendo insurgir 33 fragatas submissas, lado a lado, como se extasiadas pelo sabor da fleuma britânica, contra uma linha de quatro dezenas de embarcações, cuja austera disposição escondia o horizonte.
A tempestade perdura… sempre que troveja, um assobio arrepiante cruza os mares. Os homens param estáticos, sustentam a respiração, congelam o olhar e numa fracção de segundos vislumbram os seus sonhos, as suas paixões, sentem o calor das suas mulheres, o júbilo dos seus filhos, o aconchego dos seus lares…
O desleal destino colocou-os hoje neste local maldito, que os Árabes um dia apelidaram de Taraf al-Gharb, o cabo do oeste.
O velho lobo-do-mar agora jaz deitado, no convés do seu navio.
Um inimigo astuto, escondido no alto da gávea do imponente “Redoutable”, ousou cortar o fino cabelo que segurava a espada de Dâmocles, que desde há muito pairava sobre Nelson.
Longos panos brancos esventrados, cordas amputadas, mastros destroçados, o odor a pólvora entranhado no ar, madeira queimada e perfurada, a outrora imaculada espuma do mar tingida pelo pincel vermelho de Botticelli… Um panorama apocalíptico que Poseidon contempla, impávido e impotente, do fundo do seu trono…

Escrito por: Victor Melo

Outono




















Sinto a chuva a cair enquanto observo as folhas a dançarem
com o auxílio do vento e da água que me batem na cara gelada
com o sabor daquele verde acastanhado a sussurrar-me aos
ouvidos o nascer da esperança de viver um tempo perdido naquele
Outono.

Escrito por: Filipa Ferro

Flash

Nau

Guerra dos Mundos

Amazónia




















As amazonas banhavam-se nas margens do mar negro, nas noites de luar, deixando a prata lunar escorrer por entre os seus corpos esguios.
Embebidas na sua inata paixão pela arte da luta, decepavam o seio direito para melhor manusear o arco e a flecha. Eram lideradas por Pentesileia e viviam para combater.
Essa imagem possuiu Francisco de Orellana, quando ao penetrar na imensidão verdejante do novo continente, avistou algumas indígenas, que de corpos nus permaneciam firmes, transpirando uma essência tanto bela quanto hostil.
Baptizou-as segundo as lendárias guerreiras da antiguidade clássica. Nascia a Amazónia…

Sinto o ar virgem a acariciar o interior do meu peito, a água morna e no entanto fresca que escoa por entre as longas folhas verdes, o tucano que verseja docemente, a imensidão das torres vegetais que se erguem, imponentes na sua fragilidade natural.

Em cada fôlego engulo vida, em cada passo hidrato o meu ser…
Banho o meu rosto no limbo húmido daquele paraíso, inspiro profundamente o odor fresco da floresta, sinto o prazer de sorver o fresco suco de um cipó…

Vislumbro os densos caules da vegetação, que se entranham e ramificam de forma despenteada, qual Medusa, condensando-me no seu interior …

Não sou o único…
Muitos se perderam de amores por este sumptuoso templo viçoso…
A caneta de John Grisham, a objectiva de Jacques Cousteau, a pena de Alexander Von Humboldt, o pincel tragicamente romântico de Caspar Alexander-Friedrich…Vieram para a conquistar. Saíram conquistados. O verde prevalece…

Escrito por: Victor Melo

Capadocia




















Como duas pirâmides magistrais,
Seus vulcões emergem
De uma paisagem lunar,
Génese desse lugar.
E nas suas cinzas compactadas,
Em rocha transformadas,
Se refugiou do inimigo,
O Cristão perseguido.
Suas casas escavou,
Seus templos esculpiu e adornou,
E, até, suas profundezas habitou.
Janelas e portas,
Formas que marcam a paisagem.
A luz intensa do verão
Transforma-as numa miragem.
Viagem a um passado
Que foi, simultaneamente,
Escuro e doirado.

Escrito por: CrD

Omega














A busca… do que nos preenche… já não o princípio das coisas…
Adquirimos experiência, acumulamos virtudes, desperdiçamos os vícios, escalamos e quedamos, acolhemos amores, partilhamos tragédias, conquistamos vitórias, sentimos as derrotas, somos grandes e no entanto ainda não crescemos… Estanque… tudo pára num momento… num pensamento, durante o segundo da realização da vida, onde se celebra a própria vida… Aqui se faz o balanço, aqui se encontra o equilíbrio, as respostas que as perguntas teimosamente escondiam, a lucidez de alma, o encontro com o eu superiornum segundo que sejaa verdade, e
… tudo pára… como no início.. mas já não é o vazio, é algo que se fixa na carne, se entranha na mente… A Vida! Nem a minha… nem a tua… a nossa, em comunhão com o senso universal da coexistência mútua…

Escrito por: Frederico Honório

Beta















Cresci… as derrotas e as quedas que criei para mim atiram-me para o abismo de mim mesmo, separando-me de tudo e empurrando-me para as brumas do sentir… mas estavas lá, presente e luminosa, como sempre, sempre que preexista a fé… impulsionada por um bafo de ternura amística, fizeste-me saltar, guerrear, jamais desistir… tu… doce e sobrenatural esperança… sobre a morte triunfar… e apesar de estar no fim, sabemos que haverá um novo dia… um novo início que nos levantará em glória, esvaziando os conteúdos vácuos e escuros e estabelecendo a metamorfose do ser na continuidade de uma nova história... um novo crescimento... uma nova experiência... luz!...

Escrito por: Frederico Honório

Alfa
















Inicio… do nada, do vazio pacífico, existiu uma Vontade, Superior, de mesclar o amor, puro, total… o Bem e o Mal, despertando para a existência o ser latente, inerte, cheio de possibilidades e de escolhas, usuário de livre arbítrio… possuidor do poder de modificação de transformação, do Bem, do Mal… o Princípio de tudo… o princípio de nós mesmos, luz da luz, condensada, materializada em carne… e dúvidas… e sem ter, sem haver, nus… como alegoricamente vimos ao mundo… despidos de tudo, menos de nós próprios…

Escrito por: Frederico Honório

Manhã Dourada














A frescura da cor, o odor a maresia, o sussurrar da vida pulsa no ouro da harmonia dos segredos…
Os tempos e os compassos invadidos pela claridade inquietante de um dourado amanhecido nos clamores da alvorada!
O raiar do sol numa imensidão de fogo, o céu e as nuvens conjugadas na ternura da sabedoria que deixa a alma carente de encantos, sorrisos e sabores da imaginação pura…

Escrito por: Marinela Tavares

Xistóide

















Por entre os gélidos e áridos sentimentos com que fecundas a minha paixão, paulatinamente as chamas que alimentavam cada batida do meu coração e que cevavam o meu corpo enfezado até às entranhas, transformam-se em glaciares trovões que derrotam o ser confiante que outrora fui. A alvura do teu ser metamorfoseou-se nos ásperos e crespos vazios de olhar com os quais me tentas, e consegues, atingir. Conseguis-te acumular toda a raiva e ira possível e imginária dentro daquilo que dizias ser meu para sempre, na fase em que eu era um ser lascivo e desprezível. Deixaste-me esmagar-te antes de me esmagares a mim ... Será esse teu novo altar cimentado com a dor de outrem, a qual te regozija e diverte tanto? Sem vida, é como me sinto!!!
Mas... terás escolhido o bom momento?

Escrito por: Leandro Santos

Lost Souls
















Na imensidão do Infinito tão próximo de mim , busco algo que ainda não descobri!
Na imensidão dos sentidos , busco o teu calor… e tu bem junto a mim.
Ah!
Suspirar liberdade , suprir o desejo de vencer barreiras e, estas portas que se abrem e se fecham em janelas de azul ,como buscar? E encontrar?
De certo tua mão está aqui mas…vaga lembrança me junta aqui por afinidade , estrada de imensidão de sentidos …
Alma gémea de minha alma te perdi e te encontrei…
Anda dá-me tua mão por favor corre antes que a silhueta toque e
….enfim…
eu acorde deste leve e transparente sono que me envolve em
quimeras de azul Outono,
ou no transparente branco do mar ..onde volitamos por amor ..
Vá ,anda corre comigo
E Fiquemos assim na IMENSIDÃO do reencontro
Alma gémea de minha alma , carinho do meu carinho .
Que nos ligue a ETERNIDADE…

Escrito por: Luis Ferreira

Alentejo
















O prazer de mergulhar na vasta planície, explorar a sua imensidão, perder o olhar no longínquo horizonte que subsiste, em forma de miragem, embebido num oceano marrom.
Um lugar mágico, dotado de uma cadência própria, que docemente nos envolve os sentidos, um a um… dissolve o nosso invólucro, penetra no nosso ser e apazigua os nossos ímpetos urbanos, esses vis facínoras que nos putrificam o espírito.
Ermo paraíso, fonte bucólica de serenidade, que sorvo sofregamente.
Um antro árido de harmonia, habitado por um ser fecundo, cujo corpo de rocha e terra concebe vida.
Foi no seu coração que aquele a que chamam «O Conquistador», crivou o vernáculo do seu aço nos malévolos invasores e assim adquiriu o seu reino.
Do seu seio jorrou o néctar que deliciou Baco, apaixonando-se pela nobre casta.
A brisa que ecoa por entre as folhas dos sobreiros traz a nostalgia de uma infância distante. Uma doce reminiscência, acalorada pela generosidade deste solo, que nos cobre com o seu aveludado manto cor de avelã.
Um sol abrasador, tão incandescente que derrete as horas e prolonga o tempo, fazendo-o persistir na memória… na minha e na tua… perpetuamente aprisionado e sem que o salvem… dali…

Escrito por: Victor Melo

Tempestade
















Subjectivamente,
tudo me é equivoco,
indefinido, meros traços de rascunho,
ao acaso, numa folha de papel;
no fundo, bem lá no fundo,
acredito neste meu anseio,
nesta minha Vontade, que perdura,
que alimenta a minha Alma,
o meu Ser,
todo o meu Ser.
Vi-te, senti-te,
agarrei cada onda rebelde
sem tantas vezes nada perceber...!
Cá dentro, por vezes o mar agita-se, confunde-se...
Porque escondem as águas tantas respostas,
porque são as estrelas tão silenciosas?
Não sei, não sei...
Procuro respostas, quem sabe,
um dia...

Escrito por: Paula Vaz Franco

Esperança
















Olho para o mar e procuro todas as respostas de uma terra
onde vivo procurando-te incansavelmente com o meu corpo
cansado de uma indecisão constante que governa toda a minha
vida ao pensar naquela que é a última a morrer mas a primeira
a salvar-me do meu próprio ser, a Esperança.

Escrito por: Filipa Ferro

D. Sebastião o Desejado




















Entre o desejar e o querer
Há uma nada ténue diferença,
Porque entre o querer e o desejar
Há a distância e a força com que se quer.

Quem se fica pelo desejo,
Não passa donde está e do que é.
Quem quer eleva-se acima de si,
Do seu tempo e do passado.

Desejar é melancolia, tristeza e saudade.
Querer é futuro com maiúscula,
Superlativo sem pretérito.

Entre o desejar e o querer
Há um passo, um gesto, uma força anímica.
Entre o passado e o futuro
Estamos nós.

Escrito por: Luis Arruda

A Caverna
















Da tonalidade quente das tuas mãos escorre a subtileza, vitalidade e energia inspirada num intenso talento que ganha forma e força num vibrar de melodias singulares!
A ambição de uma caverna que resguarda o frio, conforta os dias da memória de um rio de recordações e pauta o ritmo do clamor do mundo num porto seguro…

Escrito por: Marinela Tavares

Labirinto















Formas e mais formas ...estranho !!!
Sinto-me perdido no local encontrado.
Abstracta sensação, que pulsa em meu pensar !
E neste corredor onde me cruzo com delongas escusas de meu ser, por onde seguir ?
Será aqui??
A conexão, de meu fiel, EU!!!!
Não este mesmo frio em
Calor amarelo de sol,
que me empalidece e dá vida,
Onde não encontramos a forma de SER, ou …o verbo PENSAR
Mas sim BUSCAR
Nas encruzilhadas fileiras da coragem,
Concordo que se busque o EU.
E se viva Com ele…

Escrito por: Luis Ferreira

Golden Days
















Rotina que nos persegues e conseguimos aniquilar-te no instante em que algo de diferente se cruza e te transforma nummonocromo que perde todo o seu poder ao ressuscitar todos os pedacinhos perdidos que vão dançando uns com os outros viajandopara um aglomerado de pequenos relevos de nós próprios que nosfazem sorrir e sentir um golden day.

Escrito por: Filipa Ferro

sexta-feira, janeiro 06, 2006

África















… Frases soltas… palavras soltas… significados que se perdem na imensidão dos sentimentos…
Simplesmente algo que não se explica, sente-se, transporta-se no corpo, na alma, qual incêndio selvagem de sensações que nos atordoam!!!
“Viajar” por África é mergulhar num mistério profundo em que somos enfeitiçados para a eternidade pelo seu quente exotismo, pela força bruta da Beleza…
Madrugadas, noites, poentes, ópios viciantes que nos afagam a pele e as entranhas.
O som penetrante do silêncio embala-nos e os seus sabores intensos, os seus cheiros inebriantes, as suas cores fervilhantes de poder, “envenenam-nos”… não há direito a antídoto… Mesmo não comendo, não cheirando, não vendo, não se esquece nunca, está sempre presente…
Saibam que, mesmo parada, o meu interior dança ao som de ÁFRICA…

Escrito por: Sara Silva